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  • Foto do escritorCamila, @BrasileirasdoMundo

Lorena Portela, Inglaterra ūüŹīů†Āßů†ĀĘů†Ā•ů†Āģů†Āßů†ĀŅ

Brasileiras do Mundo: Quando e por que você decidiu morar no exterior?

Lorena: Eu mudei de Fortaleza para Lisboa em 2015, inicialmente motivada a fazer o mestrado. Mas não era só isso, apesar de eu ter uma vida muito boa no Brasil, emprego legal, conforto, eu me sentia infeliz. Estava passando por uma fase de grande mudanças pessoais e emocionais, e sentia que precisava sair dali, viver outras coisas, conhecer outras pessoas, expandir um pouco. Também queria muito aprimorar meu inglês, eu já falava, mas queria deixar fluente. E, mesmo indo morar em Lisboa, decidi dividir apartamentos com estrangeiros e me obrigar a falar inglês 100% do tempo. Deu certo.

Depois de 5 anos em Lisboa, casei com meu marido, que √© brit√Ęnico, e me mudei para Londres, onde moro hoje e onde pretendo ficar por um bom tempo.




BDM: Quais as maiores dificuldades que você encontrou no seu país de destino?


Sofri preconceito na universidade e no mercado de trabalho, mesmo sendo qualificada e experiente.

L: Eu já tinha passado uma temporada curta em Lisboa em 2010, mas foi só quando eu me mudei, quando voltei para a universidade e quando passei a trabalhar com comunicação que eu vi que Portugal, apesar de ser considerado um país irmão do Brasil, é muito racista, muito xenofóbico e muito machista. Sofri preconceito na universidade e no mercado de trabalho, mesmo sendo qualificada e experiente. E o que eu passei, na verdade, não chega aos pés do que passam negros, africanos, asiáticos... O preconceito, claro, não é algo generalizado, mas é visível, é latente. Portugal tem muito o que evoluir neste sentido.


BDM: Do que mais sente saudade no Brasil?

L: Da minha família e dos meus amigos. E das festas, claro! Nenhum lugar tem festa como no Brasil. Também sinto saudade de poder ir à praia a hora que eu quiser. Sempre vejo as pessoas comentando da comida, que sentem falta, mas eu me viro bem. Além de eu gostar de comer praticamente todo tipo de comida, faço muitas coisas do Brasil, vou a mercados brasileiros, então, ameniza bastante. Com o clima, acho que estou conseguindo me adaptar. Hoje me viro relativamente bem no inverno (apesar de não amar) e adoro ter primavera e outono.

BDM: Quais são as coisas das quais você mais se orgulha?

Fico feliz demais de ter lançado meu livro (Primeiro Eu Tive Que Morrer) para o Brasil mesmo não morando mais lá.

L: Tenho muito orgulho de me perceber uma mulher corajosa, aberta, que respeita as pessoas. Eu j√° me sentia assim no Brasil, mas sair do pa√≠s me deu muito mais no√ß√£o de quem eu sou, e do quanto eu me transformo para, afinal, ficar mais parecida comigo. Agora, se formos falar de conquistas, fico feliz demais de ter lan√ßado meu livro (Primeiro Eu Tive Que Morrer) para o Brasil mesmo n√£o morando mais l√°. Um projeto 100% independente e feito por m√£os de mulheres. √Č uma alegria enorme.



BDM: Dicas para mulheres que pensam em sair do Brasil? L: Não se compare. Não compare a sua trajetória com a de ninguém, não se imponha os prazos dos outros, não queira fazer um caminho que não é seu. Converse com outras pessoas que te amam, se organize, mas, principalmente, se escute e se respeite. E pesquise, pesquise, pesquise. A Lorena está no Instagram como @portelori.


* Todas as hist√≥rias publicadas aqui s√£o reais e oferecidas pelas entrevistadas de forma volunt√°ria. O Brasileiras do Mundo n√£o se responsabiliza pelo conte√ļdo dos depoimentos.


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