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  • Camila, @BrasileirasdoMundo

Samya Escoto, Inglaterra 🏴󠁧󠁢󠁥󠁮󠁧󠁿



Brasileiras do Mundo: Quando e por que você decidiu morar no exterior?


Samya: Desde muito pequena tive uma vontade imensa de fazer intercâmbio, mas por ser filha única a ideia tinha que ser amadurecida dentro de casa em primeiro lugar. Com o passar dos anos fui conhecendo países diferentes, culturas - e mesmo de férias o que eu mais gostava era de observar o que os locais faziam, fazendo minha vontade de morar um tempo no exterior cada vez maior.


Mal sabia que uma jornada de quase nove anos fora me esperava, e que Londres se tornaria minha ‘casa fora de casa’...

Na faculdade tive muitos amigos que fizeram intercâmbio e eu não gostava da ideia de ter que voltar por obrigação. Com isso em mente optei por terminar meus estudos primeiro e depois fazer meu mestrado no exterior - para que não houvesse nenhuma etapa em ‘aberto’ no Brasil.


No mesmo ano que me formei em Relações Internacionais me preparei para o meu mestrado em Londres, na Inglaterra. Mal sabia que uma jornada de quase nove anos fora me esperava, e que Londres se tornaria minha ‘casa fora de casa’...





BDM: Quais as maiores dificuldades que você encontrou no seu país de destino?


S: Antes de falar das dificuldades, temos que lembrar que elas são parte da vida – fora ou no Brasil. São com elas que amadurecemos e nos conhecemos mais do que nunca. Vou dividir as minhas em três grandes etapas: a chegada, o mestrado e a vida profissional.


Na chegada, minha primeira dificuldade se deu não só por ter desembarcado em um país novo, mas também por ter feito isso sozinha. Não tinha uma rede de apoio, não conhecia

ninguém, nem nunca tinha morado em qualquer lugar que não fosse a casa dos meus

pais. Sabia que não iria ser fácil, mas sendo bem sincera, pensei em desistir mais de uma vez.Foi uma burocracia infinita, muitos perrengues - mas nunca cresci tanto em tão pouco tempo.


Foi um início muito solitário, de ter que provar meu valor todos os dias.

Fui aceita em um dos mestrados mais competitivos da Europa, com uma turma só de Europeus e Ingleses. Foi um início muito solitário, de ter que provar meu valor todos os dias.


Na vida profissional, a dificuldade tem nome e sobrenome: visto de trabalho. Conquistá-lo e balancear todos os seus prós e contras daria um seriado digno de Netflix.


BDM: Quais são as coisas das quais você mais se orgulha?



Porém, mais do que tudo isso, me orgulho de ter criado uma família longe de casa. Não seria nada sem eles.

S: Eu me orgulho de toda minha trajetória até o dia de hoje. Cada erro ou acerto, lágrimas de alegria ou tristeza, tudo fez parte do que a Samya é como pessoa. Me orgulho de ter feito tudo por mim mesma, lutando pelos meus sonhos – ter alugado meu primeiro apartamento, ter me formado com láurea no meu mestrado, ter minha independência, trabalhar na indústria que eu sempre quis e finalmente, ter minha cidadania inglesa como fruto do meu trabalho e do meu esforço. Porém, mais do que tudo isso, me orgulho de ter criado uma família longe de casa. Sim, minha familia não é composta de pais e filhos, mas sim de uma rede de apoio incrível que divide essa louca vida expatriada e faz eu me sentir amada e amparada todos os dias. Não seria nada sem eles.




BDM: Dicas para mulheres que pensam em sair do Brasil?

C: Liberte-se de tudo que você acha que precisa ou fizeram você achar que precisa. Olhe para você e não para o lado, ou ao menos olhe antes para dentro! E nessa jornada, tenha sempre muitos sonhos na cabeça, mas não se esqueça de apreciar a vista. Finalmente, encontre pessoas que despertem o melhor em você nessa trajetória, que te levantem nos dias ruins e celebrem junto os dias bons. Eles serão essenciais para que voce siga cada dia mais forte.




* Todas as histórias publicadas aqui são reais e oferecidas pelas entrevistadas de forma voluntária. O Brasileiras do Mundo não se responsabiliza pelo conteúdo dos depoimentos.