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  • Camila, @BrasileirasdoMundo

Lohraine Souza, Austrália 🇦🇺

Brasileiras do Mundo: Quando e por que você decidiu morar no exterior?


Morar no exterior nunca esteve nos meus planos. Até que um dia, meu marido que na época era meu namorado, decidiu vir para a Austrália estudar inglês e tentar uma nova oportunidade na vida. Combinamos que eu ficaria no Brasil para terminar a Universidade. Durante esse tempo eu vim para a Austrália como turista e desde a primeira vez eu me senti em casa e já sabia que um dia voltaria para morar. A partir daí, morar no exterior virou o meu sonho e eu contava os dias para que isso acontecesse. Cheguei aqui definitivamente em Março 2012.


BDM: Quais as maiores dificuldades que você encontrou no seu país de destino?


Eu era advogada no Brasil, então a minha experiência e qualificação não ajudavam muito na busca pelo primeiro emprego.

Eu tive a sorte de ter o meu marido comigo o tempo todo. Como ele veio 5 anos antes de mim ele me ajudou bastante com todo o processo de adaptação. No entanto, eu senti dificuldade em buscar emprego no início. Além do inglês não ajudar muito, eu não sabia muito bem que tipo de vaga de trabalho eu deveria buscar. Ficava perdida com tantas opções. Eu era advogada no Brasil, então a minha experiência e qualificação não ajudavam muito na busca pelo primeiro emprego. O frio também se mostrou uma grande dificuldade. Eu cheguei na Austrália em março e em abril já começou a esfriar. Eu lembro que os meus casacos do Brasil não davam conta e eu como boa carioca não conseguia me adaptar com o novo clima. Hoje, depois de 9 anos, eu confesso que ainda sofro com o inverno de Sydney, mas aprendi a aproveitar a parte boa dessa estação.





BDM: Do que mais sente falta no Brasil?


Eu sinto muita saudade da comida e da música brasileira. Claro que eu sempre cozinho em casa e sempre ouvimos música brasileira, principalmente samba. Mas nada se compara fazer essas coisas estando no Brasil. A nossa hospitalidade, o nosso tempero e a nossa cultura fazem muita falta.

Eu também sinto muita falta da minha família e amigos, principalmente porque as minhas filhas estão crescendo sem a convivência com a família. Essa parte é muito difícil, mas eu sou muito consciente das minhas escolhas e tento valorizar outras questões. Esse último ano foi bem difícil por conta da pandemia, mas eu espero que eu possa rever a minha família em breve


BDM: Quais são as coisas das quais você mais se orgulha?



Eu me orgulho muito das minhas raízes. Eu nasci no Rio de janeiro, eu um município chamado São João de Meriti. Eu gosto muito de falar onde eu nasci, o bairro que eu cresci e como isso influência a minha história. Eu amo a Austrália, sou cidadã australiana e me sinto em casa aqui, mas sempre lembro de onde eu vim e como eu nunca poderia imaginar estar onde eu estou hoje. Eu trabalho como agente de imigração registrada. Ajudo imigrantes que querem vir para a Austrália de forma permanente ou temporária. Ouço histórias de imigrantes do mundo todo e sempre lembro da minha trajetória até chegar aqui.

BDM: Dicas para mulheres que pensam em sair do Brasil?


Eu já atendi no meu trabalho mulheres em situação vulnerável sofrendo violência doméstica que não sabiam por onde começar a pedir ajuda. Isso me marcou bastante.

Eu acho fundamental que as mulheres construam a sua rede de apoio no novo país. Eu tenho duas filhas e sei como isso pode fazer toda a diferença. Morar no exterior é uma experiência maravilhosa, mas pode ser melhor ainda se você puder se organizar, fazer a sua pesquisa antes mesmo de sair do Brasil, sobre mercado de trabalho, custo de vida, clima, opções de visto disponíveis para a sua situação, onde buscar ajuda em situações de emergência, transporte público, etc.

Eu já atendi no meu trabalho mulheres em situação vulnerável sofrendo violência doméstica que não sabiam por onde começar a pedir ajuda. Isso me marcou bastante. Estar uma situação assim já é difícil e muitas vezes essas mulheres não conseguem nem ir na delegacia pela dificuldade do idioma ou tem medo de sofrer algum tipo de preconceito por ser estrangeira.

Se eu pudesse dar um conselho para as mulheres seria: não use a experiência de outras pessoas como parâmetro. A experiência de morar fora é muito individual, cada uma tem a sua história e os seus objetivos. Tenha cuidado redobrado, você estará longe de casa e deve sempre saber onde pedir ajuda, caso seja necessário. A saudade vai fazer parte da sua rotina e você vai aprender a lidar com isso. Não desista! * Todas as histórias publicadas aqui são reais e oferecidas pelas entrevistadas de forma voluntária. O Brasileiras do Mundo não se responsabiliza pelo conteúdo dos depoimentos.