• Camila, @BrasileirasdoMundo

Laura Peruchi, Nova Iorque 🇺🇸

Brasileiras do Mundo: Quando e por que você decidiu morar no exterior?

Quando cheguei em NYC, foi amor à primeira vista. Amei a energia da cidade, não sei nem explicar...

Laura: Em 2011, eu e meu então namorado fizemos a nossa primeira viagem internacional juntos, para Buenos Aires, na Argentina. Lá, tivemos a oportunidade de conhecer um casal de nômades digitais brasileiros e ficamos encantados. Não queríamos ser nômades, mas diria que ali que o "bichinho" da vida no exterior nos picou. Dali em diante, sempre conversávamos sobre morar fora - eu tinha muita vontade de estudar inglês por um tempo. Inclusive eu e minha irmã chegamos a fazer orçamento para um intercâmbio, mas acabamos desistindo porque o custo era muito alto pra gente.

Bem, como meu namorado era da área de TI, nós sabíamos que, por conta disso, ele teria mais possibilidades de conseguir algo no exterior do que eu, formada em Jornalismo.

Em 2012, ele acabou se mudando para Porto Alegre, RS, para trabalhar numa empresa multinacional de consultoria em software e sabíamos que, estando nessa empresa, as possibilidades de transferência ou de passar um tempo fora também eram grandes. No ano seguinte, ele foi alocado num projeto com um cliente americano e sabia que teria que viajar a trabalho. Por conta disso, sugeriu que eu tirasse o visto americano, assim, se ele viajasse a trabalho, eu poderia ir com ele.




Em agosto de 2013, surgiu uma viagem a trabalho para NYC e, como eu já trabalhava remotamente, fui com ele. Nunca havia visitado os Estados Unidos e tampouco sonhava em conhecer NYC. Simplesmente aconteceu, era uma boa oportunidade, eu não gastaria com hospedagem, então por que não?

Quando cheguei em NYC, foi amor à primeira vista. Amei a energia da cidade, não sei nem explicar... Falei pro meu namorado que ele poderia tentar encontrar um emprego na cidade - até então, sempre falávamos em Europa. Eu não tinha noção alguma do quão difícil era conseguir um visto de trabalho... e ele me alertou sobre isso. Mas eu insisti, falei que não custava nada tentar. Ao mesmo tempo, os colegas dele tinham dito que se ele quisesse medir como estava o currículo dele frente ao mercado americano, ele poderia trocar a localização no Linkedin do Brasil para NYC. Mas, veja bem, isso era só pra medir, sem pretensão alguma.

Porém, os recrutadores começaram a entrar em contato - e eu o incentivei a dar continuidade nas conversas. Um mês depois de voltarmos de NYC ele já estava com uma proposta para trabalhar numa startup. Isso era outubro de 2013.

Depois de negociações e burocracias, acabamos nos mudando em janeiro de 2014.


BDM: Quais as maiores dificuldades que você encontrou no seu país de destino?

Nova York é uma cidade de passagem pra muita gente, e acabei me despedindo de muitas pessoas queridas.

L: Posso citar algumas delas: o inverno rigoroso - e a duração dele. Confesso que subestimei essa questão do frio, não esperava que seria tão gelado, mas a gente vai se acostumando, ou melhor, aceitando! Além disso, por mais que eu considerasse o meu inglês bom tive dificuldades no começo para entender as pessoas aqui.

Também passei por muitos momentos de solidão, sem amigas. Nova York é uma cidade de passagem pra muita gente, e acabei me despedindo de muitas pessoas queridas. Algumas a gente consegue manter o contato, outras simplesmente acabam se afastando, o que considero algo natural.

A questão profissional pesou bastante. No início, mantive os clientes de gerenciamento de mídias sociais, mas chegou um ponto que ficou inviável receber em real com o dólar tão alto. Ao mesmo tempo, eu também estava empreendendo, criando minha plataforma de conteúdo sobre a cidade. Demorou anos para ganhar algum dinheiro e o peso da dependência financeira foi um fantasma na minha vida.

Eu era independente financeiramente no Brasil desde que saí da faculdade - pagava minhas contas, comprava minhas coisas e guardava dinheiro. Isso nunca foi um problema pro meu parceiro, mas a minha auto-estima ficou bem abalada.

Por último, a questão imigratória. Só conseguimos nossa residência permanente há um ano, e, antes disso, tivemos dois tipos de vistos.

Analisando bem, vistos te proporcionam uma vida mais amarrada. É uma falsa ilusão de vida perfeita. De longe, ela parece tranquila. De perto, há limitações, prazos, medos e muita ansiedade envolvida.

Agora que temos o Green Card percebo como essa questão imigratória era um fantasma, um peso nas costas. Você fica sujeita à aprovação, precisa ficar renovando o documento e sem contar que um dos vistos que tivemos não me permitia trabalhar, o que me deixava super frustrada.




BDM: Do que mais sente saudade no Brasil?

L: Além da família e amigos, esses dias li uma crônica que traduz bem meu sentimento em relação ao Brasil: eu sinto saudades daquilo que já foi, daquilo que vivi, das minhas memórias, dos momentos. Mas isso não existe mais. A pessoa que eu era não existe mais e o Brasil onde eu vivi também não é mais o mesmo, porque tudo muda.

Então, a gente fica com esse gostinho meio amargo na boca, é uma nostalgia, uma saudade daquilo que nunca mais vai voltar.


BDM: Quais são as coisas das quais você mais se orgulha?

L: De tudo que conquistei com o meu trabalho de criação de conteúdo: as marcas com quem trabalhei, os projetos que criei, as pessoas que conheci e a audiência que eu ajudei.

Acima de tudo, tenho orgulho da pessoa que me tornei. Dos valores que construí, da segurança que foi sendo construída ao longo dos anos, de tudo que aprendi.


BDM: Dicas para mulheres que pensam em sair do Brasil?


Muitas de nós temos vários papeis: esposas, namoradas, mães, porém, acima de tudo, temos nossas individualidades.

Sei que falo para várias mulheres em diferentes circunstâncias. Então, o meu conselho universal é: Vai dar medo mesmo! Não se engane. Não pense que um dia você vai acordar se sentindo 100% pronta para uma mudança como essa.

Mas vai valer a pena. Caso esteja se mudando em família, não se anule. Não esqueça de você, priorize-se, valorize-se e lembre-se de pensar na sua trajetória e no seu destino, como indivíduo também.Muitas de nós temos vários papeis: esposas, namoradas, mães, porém, acima de tudo, temos nossas individualidades. A Laura está no Instagram como @laura_peruchi.