• Camila, @BrasileirasdoMundo

J√ļlia, Australia ūüá¶ūüáļ




Brasileiras do Mundo: Quando e por que você decidiu morar no exterior?


Julia: Foi em 2013, eu nunca tinha viajado pro exterior antes e a minha fam√≠lia n√£o vem de uma cultura viajante, mas por algum motivo sempre tive esse desejo de ir pra fora explorar algo novo. Felizmente, na √©poca n√£o tinha nada que me prendesse no local onde estava, nem trabalho, nem relacionamento e eu tinha uma grana guardada que era o suficiente pra fazer um interc√Ęmbio curto. Esses fatores facilitaram a minha decis√£o e o meu desejo de me aventurar.




B: Quais as maiores dificuldades que você encontrou no seu país de destino?


J: Você já tem que ir com a cabeça aberta e entender que nem tudo vai ser mil flores. Meu primeiro local de moradia foi Londres e fui com visto de estudante no início. As dificuldades relacionadas à esse visto eram outras, porque não é permitido trabalhar com ele e a grana era sempre curta - então eu vivia à base de comida de 1 libra e cerveja barata! A língua também foi um baque e com ela a frustração em não conseguir expressar plenamente meus pensamentos. Mas acho que no início tudo é novo então naquela época eu ainda ficava encantada com qualquer coisa! Mas você tem que tá preparado pra se perder bastante em lugares que você nunca foi, viver com a grana curta e não falar muito bem o idioma local.


Nesse período, com o visto de estudante, amei muito viver fora e percebi que era isso que queria pra minha vida, viajar, explorar, etc. Mas claro, eu também precisava trabalhar! Então corri atrás de fazer minha cidadania italiana, o que foi bem complexo porque tive que desenterrar vários documentos e me envolver em um processo que não era NADA familiar pra mim. Depois de feito eu consegui finalmente ter o direito de também trabalhar na Europa.

" Os brit√Ęnicos d√£o prefer√™ncia pra quem fala ingl√™s e tem experi√™ncia no pa√≠s deles.√Č super dif√≠cil furar a bolha da ind√ļstria privilegiada. "

Da√≠ veio o drama do trabalho. Os brit√Ęnicos d√£o prefer√™ncia pra quem fala ingl√™s e tem experi√™ncia no pa√≠s deles. Minha faculdade e p√≥s gradua√ß√£o n√£o valiam de nada l√°, ent√£o tive que come√ßar no come√ßo mesmo. Foi dif√≠cil e eu cheguei a trabalhar em uma loja na Oxford St ,uma das ruas mais movimentadas de Londres, por um tempo. Foi bom pra praticar o ingl√™s, mas n√£o sou extrovertida ent√£o foi meio complicado! Ao mesmo tempo fui me candidatando √† vagas na minha √°rea, v√°rios e-mails n√£o respondidos, conversas com recrutas que n√£o iam √† lugar algum e etc... at√© que um dia me chamaram pra uma entrevista! Era em outra cidade, com um sal√°rio m√≠nimo do m√≠nimo, mas era a √ļnica chance de entrar na √°rea ent√£o fui com tudo e consegui a vaga. Isso me mostrou que obviamente para o capitalismo √© super rent√°vel ter a m√£o de obra imigrante - j√° que precisamos pegar os empregos que ningu√©m quer. √Č super dif√≠cil furar a bolha da ind√ļstria privilegiada.


Depois de quase 4 anos na Inglaterra me mudei pra Australia. Na minha cabeça eu pensei, todo o drama de novo! Me adaptar à cultura, fazer novas amizades, conseguir emprego. Eu tinha demorado um bocado pra conseguir uma certa estabilidade em Londres então foi outro choque. Dessa vez já tinha experiência na minha área profissional e sei que o visto que entrei facilitou muito as minhas chances de conseguir emprego - apesar de saber que o processo de visto aqui também é caro e complicado. Então em Sydney meu maior problema foi adaptação ao estilo de vida e, principalmente, fazer amizades. Outra coisa muito dolorosa foi perceber o tratamento que as pessoas tinham umas com as outras no ambiente de trabalho no meu próprio time. Saiam pra almoçar e não me chamavam, não me incluíam nas conversas. Coisas do tipo, mas com terapia (o que eu sei que é um privilégio) estou num lugar mentalmente melhor!


B: Quais são as coisas das quais você mais se orgulha?


J: Acho que recomeçar mesmo que com medo. Quando a gente é nova acho que é um pouco mais fácil atirar as coisas pro alto e se aventurar. Hoje em dia vai ficando mais complicado conforme a gente vai conquistando mais coisas e a tão sonhada total independência. Arriscar faz parte do jogo mas precisa ser um risco comedido e planejado.




B: Três dicas para mulheres que pensam em sair do Brasil?


J: Planeje seus passos, pesquise sobre o lugar onde você está indo (cultura, localização, moradia, como é o mercado de trabalho, o que o visto te permite fazer);


Se coloque mentalmente em situa√ß√Ķes dif√≠ceis que voc√™ passaria no local e se pergunte "eu aguentaria a barra? O que eu faria?". Exemplos: voc√™ dividiria quarto com mais tr√™s pessoas pra pagar menos aluguel? Voc√™ moraria super longe do centro da cidade? Voc√™ trabalharia num caf√© ou numa loja ou faxinando?


Tenha um dinheiro guardado e calcule at√© quando vai durar. Pense no valor do transporte, de tr√™s refei√ß√Ķes, do aluguel e alguns extras que voc√™ gostaria por dia (tudo no valor da moeda local) e fa√ßa a m√©dia de dinheiro que voc√™ precisa pro seu per√≠odo de estadia e guarde um pouco mais que isso tamb√©m - porque nunca se sabe quando uma emerg√™ncia pode acontecer!



* Todas as hist√≥rias publicadas aqui s√£o reais e oferecidas pelas entrevistadas de forma volunt√°ria. O Brasileiras do Mundo n√£o se responsabiliza pelo conte√ļdo dos depoimentos.